Como a sustentabilidade está sendo incorporada na cadeia do turismo
De meios de hospedagem a atrativos turísticos, programas como o Green Key ajudam a estruturar práticas e critérios em diferentes níveis da experiência turística
A sustentabilidade no turismo vem passando por um processo de consolidação nos últimos anos, deixando de ser um diferencial pontual para se tornar um componente estruturante do setor. Esse movimento pode ser observado não apenas na adoção de práticas ambientais por empreendimentos individuais, mas também na criação de padrões, certificações e sistemas de gestão que organizam essas práticas de forma mais consistente.
Tradicionalmente, a discussão esteve concentrada nos meios de hospedagem, com foco em eficiência energética, uso racional da água e gestão de resíduos. Embora esses aspectos continuem sendo relevantes, o avanço do setor tem ampliado o escopo da sustentabilidade para além da hotelaria, incorporando outros elementos que compõem a experiência turística.
Hoje, o turismo é entendido como uma cadeia integrada, que envolve transporte, hospedagem, alimentação, atividades e atrativos, além da relação com o território e as comunidades locais. Nesse contexto, a sustentabilidade passa a ser analisada de forma mais sistêmica, considerando a interação entre esses diferentes componentes.
É nesse cenário que iniciativas como o Green Key se inserem. O programa estabelece critérios reconhecidos internacionalmente para diferentes tipos de empreendimentos turísticos, incluindo meios de hospedagem e atrativos, com foco em gestão ambiental, responsabilidade social e conscientização.
Ao adotar esse tipo de referencial, os empreendimentos passam a operar com indicadores mais claros e comparáveis, o que contribui para a padronização de práticas e para o monitoramento de resultados ao longo do tempo. Além disso, a existência de certificações internacionais facilita a comunicação com o mercado, especialmente com viajantes e operadores que já utilizam esses parâmetros como base para suas decisões.
Outro aspecto relevante é a contribuição dessas iniciativas para a organização dos destinos turísticos. Quando diferentes empreendimentos de uma mesma região adotam padrões semelhantes, cria-se uma base mais consistente para o desenvolvimento sustentável do território, reduzindo assimetrias e fortalecendo o posicionamento do destino como um todo.
No Brasil, esse movimento ainda está em fase de expansão, mas acompanha uma tendência global de maior exigência por transparência, rastreabilidade e responsabilidade nas atividades turísticas. Destinos com forte apelo natural e cultural tendem a se beneficiar especialmente desse processo, uma vez que a conservação dos seus ativos está diretamente relacionada à sua competitividade.
Ainda assim, observa-se que alguns dos principais destinos turísticos do país, como Bonito (MS), Gramado (RS) e Foz do Iguaçu (PR), embora contem com uma rede hoteleira estruturada e já familiarizada com práticas de sustentabilidade, ainda apresentam baixa adesão ou estão em estágios iniciais na implementação de programas formais de certificação. Esse cenário evidencia uma oportunidade relevante para a ampliação de padrões reconhecidos internacionalmente no país.
Nesse contexto, a sustentabilidade no turismo passa a ser compreendida menos como um conjunto de ações isoladas e mais como um sistema de gestão integrado, apoiado por critérios, métricas e referências reconhecidas internacionalmente.
A consolidação desse modelo depende da articulação entre diferentes atores do setor e da continuidade na implementação dessas práticas, de forma a garantir consistência e evolução ao longo do tempo.